Entrevista para Lucas Paraizo

Link para a entrevista.

 

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Entrevista para Ana Paula Dahlke, do Cidade Plural

*Por Ana Paula Dahlke

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Um café, um jazz clássico, um novo livro a caminho. O jovem poeta blumenauense Marcelo Labes recebeu o Cidade Plural em uma cafeteria no Centro de Blumenau para falar do resultado do financiamento coletivo para seu novo livro. A obra intitulada Trapaça recebeu mais de 200 colaboradores, alcançando 106% do valor solicitado no crowndfouding, que era de R$ 7 mil.

Labes vai para a sua quarta publicação, que deve chegar a casa dos financiadores em novembro. O escritor falou sobre o seu novo livro e a carreira literária na nova série de entrevistas do Cidade Plural, intitulada Conversas Plurais.

Ana Paula Dahlke: Como nasceu e quais as inspirações do seu novo livro?
Marcelo Labes: O Trapaça não é um livro próprio de poemas. Ele não foi escrito para ser um livro. Como eu sou um leitor jovem de gente velha, acabei pegando muitas antologias na mão. Vinicius de Moraes, Manoel Bandeira, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, enfim, e antologias, por exemplo, o primeiro livro de Manuel Bandeira, As Cinzas das horas, é um livro parnasiano, com poesia métrica e formal, já o livro Carnaval, é um pouco moderno, mudando a linguagem e estilo. Ou seja, quando é uma antologia, tudo isso está lá dentro. E depois de ler as obras dele (Manuel Bandeira), me deu uma liberdade de estilo e de não me prender a uma forma prévia. De qualquer maneira sim, eu tenho uma voz poética, mas eu não tenho uma forma estabelecida que eu tenha que seguir. Quando eu lancei o meu primeiro livro, Falações (2008), antologiei os meus poemas, porque eu tinha poemas publicados na internet e alguns de gaveta, então eu os selecionei e coloquei num exemplar. E no livro Trapaça foi a mesma coisa. Quando os poemas foram escritos, não faziam parte de um livro ainda.

Ana Paula: E quais os temas que compõem o Trapaça? O que tem escrito lá?
Marcelo Labes: 
Primeiro selecionei os poemas que queria, e depois foram sendo agrupados por temáticas, e eu consegui chegar em quatro eixos que são a metapoesia (que são poemas sobre escrever e a poesia em si), tem a parte que são poemas de amor (de sensações, coisas e pessoas que me apaixono), tem a parte exclusiva da memória (que são personagens da infância e momentos da minha própria vida),neste tem um poema para Dona Miranda, por exemplo, e tem um para o alfaiate, que era um vizinho meu, velho, solteiro e tinha muitas revistas pornôs em casa. Eu saía da minha casa e ia para a oficina de alfaiate conversar, na época com cinco ou seis anos, e ficava falando com ele, e até, posso dizer que foi o meu primeiro amigo, e isso ficou perdido na cabeça, e de repente a memória se torna algo muito importante.  Esses personagens que eu resgato não são protagonistas do poema, eu os utilizo para dizer alguma coisa. O alfaiate foi para expressar a minha primeira saudade da infância. Já o quarto eixo não sei como denominar, porque são poemas mais duros que falam sobre a crença no mundo e nas pessoas, sobre como a gente está na merda, e como é necessário que um meteoro venha e acabe com tudo (risos). É onde ali talvez entre mais a coisa da sociologia, porque minha poesia mudou depois da faculdade. Antes eu escrevia como um literato que sabia poesia, e hoje eu leio sociologia, antropologia e ciência política, então o meu olhar social para poesia traz algo como o mundo está fodido e a gente está nele.  São poemas de descrença, na verdade.

Ana Paula: Você publicou quatro livros, todos tiveram o financiamento coletivo?
Marcelo Labes: 
Não. O Falações saiu pelo Fundo Municipal de Cultura, publicado pela EdiFurb, em 2008, e que foi o meu primeiro livro. Antes até eu tinha publicado uma antologia, mas quem conta isso é só a minha mãe, eu não conto. Já o Trapaça é por financiamento coletivo. No início com interesse de pessoas pela poesia e depois o avanço lento do valor. Várias vezes eu achei que não iria chegar na meta e eu não tinha um plano B para isso. É uma luta porque tenho percebido em vários financiamentos coletivos que eu acompanhei que vai muito lento no começo, e no final, aparece uma grana do nada. E eu vejo que vai bater a meta do Trapaça.

Ana Paula: Você continua escrevendo? Já pensou em uma próxima obra?
Marcelo Labes: Continuei sim a escrever poemas, mesmo depois de terminar a seleção do Trapaça. Inclusive foi difícil fechar a seleção, porque depois eu queria incluir mais poemas, mas não podia. Então a seleção ficou com cerca de uns 80 poemas.

Ana Paula: Que influências, além de literárias, estão nos seus poemas? Como é o momento de escrever?
Marcelo Labes: 
Tudo influencia o poema. Música, o que tu está lendo naquele momento, o que está assistindo… Mas para escrever, eu já cheguei num ponto que tiro os encostos, que são principalmente aqueles escritores mortos, porque quando alguém começa a escrever, escreve da maneira de um escritor que costuma ler, e os meus, casualmente e em sua maioria, já tinham morrido. E por muito tempo vai se escrevendo como eles, como se fosse eles mas nas próprias palavras. E tem um momento que se cria a própria independência em relação a isso. Precisa-se criar e ter a própria voz. O que me influencia quando escrevo é mais o ritmo de algo que ouvi do que a palavra propriamente dita. Partindo do pressuposto que poesia também é ritmo.

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No final do bate-papo o escritor ainda falou que não definiu uma data para lançar o livro, pois a ideia é primeiramente enviar os exemplares aos colaboradores do financiamento. Depois disso, irá dedicar seu tempo para planejar o evento e fazer também a distribuição dos exemplares em livrarias.

Acesse aqui: Conversas Plurais: Marcelo Labes

Rafael Sallalti apoia Trapaça!

O escritor Rafael Sallati apoia Trapaça e convida para a campanha de financiamento coletivo do livro.

http://www.catarse.me/trapaca

Rafael é autor de 18 Quilômetros – Uma estrada de poesias (Edição do autor, 2016) – e realiza intervenções poéticas no projeto 18 Quilômetros, em que leva poesia a pessoas que aguardam a partida de seus ônibus no Terminal Tietê, em São Paulo.