Os poemas de Trapaça

Já falei sobre isso, mas pensei em insistir: Trapaça não é um livro de poemas inéditos. Pelo contrário: alguns deles fizeram algum “sucesso” no Facebook, quando compartilhados na página onde posto meus poemas. No entanto, não se volta a eles. Eu mesmo tenho dificuldade de relê-los. E como o autor escreve para ser lido, pensei que em vez de repetir compartilhamentos para ganhar curtidas nessa bolha algorítmica que é a tal rede social, melhor seria selecioná-los e fazer deles livro à moda antiga, livro à moda atual, livro-livro.

Um dia, fazia muito frio, os poemas já estavam impressos e era preciso dar jeito neles, selecioná-los, de maneira que o leitor, ao ler Trapaça, conseguisse transitar por entre as letras sem maiores incômodos ou distrações. Fazia frio, e lá fomos nós, Luiza e eu, atrás dum gramado onde houvesse um raiozinho de sol que nos esquentasse e iluminasse todos aqueles papéis que trazíamos. O sol já havia ido, o frio já nos congelava, mas a seleção foi feita.

Trapaça acontece em quatro momentos.

Na primeira parte do livro, o que há são os metapoemas, poemas que falam de poemas, reclames de poeta que se descobre (indefeso) diante da Poesia. São poemas-neurose de quando se busca saída e o que se encontra é inevitavelmente o poema.

A segunda parte é leve e livre. São poemas de amor, de sol amarelo em outono, escritos à luz da presença de Luiza em minha vida. São poemas sutis, encantados, que reclamam companhia para esquentar os pés gelados no inverno e sonham um sonho de várias estações.

Para a terceira parte, separei poemas que tem como ligação entre si o tema da memória. Estão a família, aqueles anos esquisitos e de gosto ruim, que foram os 1990. A poemas dedicados a personagens da infância, como alfaiate (ou Alfaiate, nome próprio), o sujeito que vivia num quartinho-ateliê perto de casa e que foi, talvez, meu primeiro amigo. Há poemas para quem não está mais aqui e para quem continua aqui, mas se vai. São poemas doloridos, talvez. Antigos, talvez. São poemas de reencontro e de abandono: relembrar para reesquecer.

A quarta parte é despedida, desmoronamento, engavetamento de automóveis na auto-estrada. Contam-se os mortos, nós mesmos mortos. São poemas escritos diante da realidade do mundo, dessa realidade, disso que por mais que ignoremos, nos acontece e nos destrata.

Esta reunião de poemas se pretende uma seleção do que de melhor foi escrito lá na fanpage. Alguns, com muitos leitores. Alguns deles, com muitos comentários. E alguns que passaram sem que fossem percebidos no meio do bombardeio de informação das redes sociais – e que mesmo assim são considerados bons textos.

Trapaça será publicado em novembro. Logo mais, em agosto, será lançada a campanha de financiamento coletivo para a publicação do livro.

Para que ele seja publicado, para que esses poemas existam-de-fato num exemplar, conto contigo!

 

 

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